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O termo vegetarianismo, de acordo com o senso comum, é utilizado para se referir a uma dieta isenta de carnes. O vegetarianismo restrito (veganismo) exclui completamente os produtos animais (carnes, peixes, leite, ovos e, às vezes, mel) e é baseado no consumo de cereais, leguminosas, frutas, verduras, cogumelos e oleaginosas. Os ovolactovegetarianos complementam a dieta com ovos, leite e derivados.
Estudos demonstram que as dietas ovolactovegetarianas tendem a ter um baixo teor de proteína, ácidos graxos saturados, ácidos graxos n-3, retinol, ferro, zinco e vitamina B12, sendo que esses três últimos nutrientes e também o cálcio podem ser insuficientes em dietas veganas.
Isso porque esses minerais têm baixa biodisponibilidade nos alimentos vegetais e existe também a interferência dos fitatos e fibras na sua absorção. Em compensação, no caso do ferro, o conteúdo mais elevado de vitamina C das dietas vegetarianas pode ser um fator contribuinte para a correta absorção de ferro dos vegetarianos.
A vitamina B12 é um nutriente que preocupa os especialistas, especialmente pela necessidade de correta adequação dessa vitamina em crianças, lactantes e indivíduos veganos em idade reprodutiva. Apesar de que a colônia bacteriana do intestino humano produz a vitamina B12, ela não é absorvida e sua única fonte alimentar confiável são os alimentos de origem animal. Assim sendo, a suplementação sintética nos veganos é necessária e tal recomendação foi assumida em parecer emitido pelo Conselho Regional de Nutrição (CRN) da 3o região do Brasil.
A American Dietetic Association admite a necessidade de suplementar outros nutrientes, entre eles a vitamina B12, em alguns usuários vegetarianos e nos veganos, mas defende que as necessidades de proteína, ácidos graxos n-3, ferro, zinco, iodo, cálcio e vitaminas D podem ser cobertas com dietas ovolactovegetarianas bem planejadas.
O parecer do CRN6 alerta que os elementos que exigem maior atenção na alimentação do ovolactovegetariano são: vitamina B12, ferro, zinco e ômega-3. Na dieta vegetariana restrita deve haver atenção também para cálcio e proteínas, e a suplementação de vitamina B12 e zinco (e secundariamente ferro e cálcio) se faz necessária entre os veganos.
Já entre os vegetarianos não restritos, o elemento mais suscetível, especialmente para crianças, parece ser o zinco, bem como o cálcio e o ferro. A suplementação deve ocorrer se os exames clínicos confirmarem a carência. Essa recomendação se faz necessária devido aos resultados ainda inconclusivos sobre a adequação desses nutrientes na dieta ovolactovegetariana.
Pesquisa8 mostra que vegetarianos e veganos apresentam taxas aumentadas de homocisteína e menores de colesterol, triglicerídeos totais e de colesterol LDL quando comparados com indivíduos onívoros, tendências clínicas que favorecem a prevenção de doenças cardiovasculares.
Estudo assume que as dietas veganas e ovolactovegetarianas são saudáveis, adequadas do ponto de vista nutricional e importantes no tratamento e na prevenção de certas enfermidades, como doenças coronarianas, dislipidemias, hipertensão e diabetes tipo 2. Além disso, os vegetarianos tendem a ter menor índice de massa corporal e baixas taxas de alguns tipos de câncer, como o colorretal e o pulmonar.9-12 Outros estudos destacam que uma dieta vegetariana equilibrada pode ter efeitos positivos na prevenção e no tratamento de algumas doenças renais crônicas.
Outro estudo15 mostra que não há diferenças entre os dois grupos (vegetarianos e onívoros) no que diz respeito à incidência de câncer e outras causas de mortalidade de grande impacto, com exceção das doenças isquêmicas cardíacas, entre as quais se observou uma redução moderada nas taxas de mortalidade entre os vegetarianos.

Dra. Renata Sanches
Nutricionista – CRN5/1814